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Sobre a validade do conceito de Livre-arbítrio

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O conceito de livre-arbítrio pode ser positivamente demonstrado?

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Thiago Mácimo

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Sobre a validade do conceito de Livre-arbítrio

Mensagem por Thiago Mácimo em Sex Mar 14, 2014 1:30 pm

O conceito de liberdade da vontade encarado como autonomia, possibilidade de escolha, de ação a despeito das influências genéticas, históricas, culturais etc permeou toda a história do pensamento ocidental. Metafísica, Ética, Ontologia, Psicologia, Política, Estética, Lógica (sim, lógica inclusive) são áreas que já se ocuparam e/ ou se ocupam da reflexão do conceito e de suas implicações.
Proponho a seguinte questão: o conceito de liberdade não viola o fundamento das ciências empíricas - por exemplo, a Física - ao propor a existências de eventos no universo que não estejam relacionados de forma causal? É possível que a evolução das espécies tenha legado ao homem uma característica única em comparação com todo o restante do universo por nós conhecido? Somos de fato uma porção especial do Cosmos? Ou o conceito de livre-arbítrio não passa de uma antiguidade, uma ficção explicativa platônica demais, cristã demais, moralizadora demais?

P. S. Como behaviorista radical nego "radicalmente" (no sentido de raiz) o conceito de liberdade da vontade e com ele todas as formas de dualismo (sim, negamos o conceito de mente também). Os dados empíricos colhidos através dos experimentos com condicionamento operante e condicionamento respondente tem tido sucesso em explicar, prever e controlar porções do comportamento humano tradicionalmente ditas "superiores". Acredito que o debate é de suma relevância uma vez que o tema pode trazer implicações drásticas para a concepção da cultura, da jurisprudência, da educação e , enfim, de todo o fazer humano.
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Tagus

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Data de inscrição : 13/03/2014

Re: Sobre a validade do conceito de Livre-arbítrio

Mensagem por Tagus em Sex Mar 14, 2014 5:59 pm

O livre-arbítrio é "livre", mas não tanto. Há n condicionantes, sobretudo as de ordem material.

Marx no "18 Brumário":

Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos.
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Thiago Mácimo

Mensagens : 5
Data de inscrição : 14/03/2014

Re: Sobre a validade do conceito de Livre-arbítrio

Mensagem por Thiago Mácimo em Sex Mar 14, 2014 9:12 pm

Compreendo a explanação de Marx a esse respeito. Sou herdeiro dessa concepção materialista da história, contudo, se para além desses n condicionantes admitirmos uma partícula que seja de ação livre, não estaremos concebendo o homem de forma exageradamente hegeliana? Não estaremos violando um princípio físico fundamental? Se sim, como pensaremos o homem a partir daqui, a partir do materialismo mais monista que já houve?
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Lunatic0

Mensagens : 5
Data de inscrição : 14/03/2014

Re: Sobre a validade do conceito de Livre-arbítrio

Mensagem por Lunatic0 em Sab Mar 15, 2014 10:25 pm

Thiago, perdoe a abordagem socrática, mas, pode explicar melhor essa "liberdade da vontade"?

Com relação ao livre-arbítrio, eu até posso me aprofundar um pouco, mas preciso entender melhor as bases aqui.
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Thiago Mácimo

Mensagens : 5
Data de inscrição : 14/03/2014

Re: Sobre a validade do conceito de Livre-arbítrio

Mensagem por Thiago Mácimo em Dom Mar 16, 2014 4:16 pm

Claro. Usei o termo liberdade da vontade na mesma acepção schopenhauriana na obra "O livre-arbítrio". Ou seja, "vontade livre" ou livre-arbítrio seria a capacidade do ser humano de realizar escolhas não-determinadas, a partir de si-mesmo, do seu eu, da sua própria individualidade, a despeito das influências que a história, a cultura ou a sociedade inevitavelmente impõem.
Deixe-me exemplificar: Um homem não pode escolher a época, a cultura, o sexo, a condição econômica ou o lugar em que nasce, mas ainda assim seria livre para escolher afirmar-se contra os obstáculos dessas determinações. O existencialismo apresenta uma forma moderna do livre-arbítrio (não muito diferente das acepções tradicionais).
Meu posicionamento filosófico nega qualquer forma de liberdade da vontade ou livre-arbítrio, por não admitir que o homem componha uma porção especial do Universo, que seja capaz de infringir o princípio físico de causalidade múltipla. Em minha opinião, a noção de liberdade da vontade é metafísica, herdeira da tradição platônico-cristã ocidental. Gostaria de saber acerca do posicionamento de vocês acerca do tema.
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mariorabello

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Data de inscrição : 17/03/2014

Re: Sobre a validade do conceito de Livre-arbítrio

Mensagem por mariorabello em Seg Mar 17, 2014 3:24 pm

Thiago Mácimo escreveu:Claro. Usei o termo liberdade da vontade na mesma acepção schopenhauriana na obra "O livre-arbítrio". Ou seja, "vontade livre" ou livre-arbítrio seria a capacidade do ser humano de realizar escolhas não-determinadas, a partir de si-mesmo, do seu eu, da sua própria individualidade, a despeito das influências que a história, a cultura ou a sociedade inevitavelmente impõem.
Deixe-me exemplificar: Um homem não pode escolher a época, a cultura, o sexo, a condição econômica ou o lugar em que nasce, mas ainda assim seria livre para escolher afirmar-se contra os obstáculos dessas determinações. O existencialismo apresenta uma forma moderna do livre-arbítrio (não muito diferente das acepções tradicionais).
Meu posicionamento filosófico nega qualquer forma de liberdade da vontade ou livre-arbítrio, por não admitir que o homem componha uma porção especial do Universo, que seja capaz de infringir o princípio físico de causalidade múltipla. Em minha opinião, a noção de liberdade da vontade é metafísica, herdeira da tradição platônico-cristã ocidental. Gostaria de saber acerca do posicionamento de vocês acerca do tema.

Um homem sempre escolhe de acordo com as imposições da sociedade onde ele está inserido. Durkheim, em As Regras do Método Sociológico diz:

Esses tipos de conduta ou de pensamento não apenas são exteriores ao indivíduo, como também são dotados de uma força imperativa e coercitiva em virtude da qual se impõem a ele, quer ele queira, quer não.

E completa

Ainda que, de fato, eu possa libertar-me dessas regras e violá-las com sucesso, isso jamais ocorre sem que eu seja obrigado a lutar contra elas. E ainda que elas sejam finalmente vencidas, demonstram suficientemente sua força coercitiva pela resistência que opõem.

Com isso, como podemos pensar em livre-arbítrio dentro desse espectro? Uma vez que temos uma coerção inerente ao indivíduo, vindo de uma força superior e inconsciente, como ser livre de verdade?

Trago também para o debate, o livro Subliminar, de Leonard Mlodinow, onde ele trata de como nosso cérebro funciona para preencher as lacunas na memória, visão, etc. Grande parte do que vemos e fazemos são ações inconcientes e instintivas do nosso cérebro. Até onde isso influencia nossas tomadas de decisões?
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Tagus

Mensagens : 7
Data de inscrição : 13/03/2014

Re: Sobre a validade do conceito de Livre-arbítrio

Mensagem por Tagus em Ter Mar 18, 2014 11:25 pm

Livre-arbítrio condicionado às condições dadas; i.e., condicionado, mas livre. É como enxergo a questão.

Penso como neste texto, cujo trecho reproduzo, que traz, a propósito, o fragmento do "18 Brumário" citado acima. Eu esposo, como se vê, a abordagem marxiana.

1. Diz Trotsky, na introdução da "História da Revolução Russa": "O materialismo não ignora o homem que sente, que pensa e que age; ele explica-o". Sempre bom lembrar um ponto tão deturpado por muitos "marxistas", que reduzem o homem a um autômato, um joguete ao sabor das forças materiais. Nada mais equivocado. Afinal, o homem é o agente da História; usa sua força criadora para modificar o mundo. Não age livremente, claro, mas condicionado pelas condições e circunstâncias materiais vigentes (Marx no 18 Brumário: "Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado"), sem deixar de ser, como dito, o agente da História. O materialismo "vulgar", que rebaixa o ser humano, não é o materialismo marxista.

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Re: Sobre a validade do conceito de Livre-arbítrio

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